“Deixar de ser racista, meu carinho, não é consumir uma mulata! Elogio racista é toda demonstração de simpatia, afetividade ou carinho que se concretiza por intervenção de ideias ou expressões próprias ao racismo. Com ou sem a intenção de, que fique bem claro. Um dos mais populares é o famoso “negro de alma branca” que nossos antepassados em tal grau ouviram. Mas não são apenas nossos homens que conhecem super bem os elogios racistas. Nós mulheres negras também somos agraciadas com esses menores monstrinhos, usados inadvertidamente por amigos, familiares.
Várias vezes até por nossos parceiros. Decidi fazer uma lista com 5 elogios racistas (e sexistas, fale-se de passagem) que muitas da gente escutamos quase que todos os dias. Alguns são consenso, acredito. Outros nem ao menos em tal grau. Fico aguardando angustiada para que você, mulher negra, deixe seu comentário comentando se também acontece com você.Se concorda, se discorda. E principlamente, o que você faz pra deixar bem claro que o elogio racista pode ser tudo, menos bem vindo e apreciado. Esse é o elogio racista que mais escutei em toda minha vida. Minhas primeiras lembranças são do tempo da escolinha. Mesmo mulheres como Adriana Alves ainda são chamadas de morenas, pois se acredita que chamar alguém de negra é uma ofensa racial.
Se você necessita se expressar, tente um simples “você é formosa ou atraente”. Ou ainda “você é uma negra linda”, o que, dependendo do fato podes ser tão mau quanto. Mas em teoria alguma diga que uma negra é morena, moreninha, morena escura. Que não é negra. Isto sim é racismo dos graúdos, pura e simplesmente.
Quando acontece comigo, digo que não sou morena e nem sequer moreninha, sou n.e.g.r.a. O agradável é que, dependendo como essa resposta é dada, a pessoa prontamente se toca que ela não deveria ter começado oconversê, que simplesmente não estou acessível para esse tipo de diálogo. Nem com conhecidos, muito menos com estranhos. 02. “Seu cabelo é muito perfeito, posso tocar? Há alguns anos atrás, uma senhora ultrapassou todos os limites de uma convivência pacífica ao se aproximar de mim, cheia de dedos, me tocando sem permissão e postando que eu tinha uma “peruca muito bonita”.
Não retruquei de caso pensado, antecipando teu vexame por jamais ter cogitado que uma mulher negra pudesse ter um cabelo comprido, ao natural. Minha vingancinha, e sou dessas, foi assistir aquela sentença de arrependimento por ter percebido o que fez. Entendo que simples visão de uma negra com cabelo natural poderá ser inebriante.
Que persiste a completa desinformação sobre o nosso cabelo. Porém, isso não justifica o toque sem permissão. Não importa se é cabelo natural ou não. A menos que você conheça super bem a pessoa, não toque em teu cabelo sem consentimento. Eu iria mais afastado. Para mim a interessante etiqueta simplesmente reza que não se deve nem ao menos mesmo pedir pra tocar o cabelo de uma pessoa desconhecida. Dizer que uma negra tem traços “delicados” muitas vezes tem a ver de perto com a ideia de que será elegante se tiver uma sentença “fina”, leia-se igual a de alguém branca.
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Como se acordado tipo de nariz (ou bochechas) fosse exclusivamente dessa ou daquela etnia. Uma de tuas variantes é outra sentença identicamente racista – “você é uma mulher negra bonita” – algo que ao meu acompanhar é a mesma coisa de deixar claro que “você é graciosa pra uma negra”. Afinal, qual o defeito de dizer que uma mulher negra simplesmente é… Uma mulher bonita? Porque Alek Wek necessita de ser descrita como uma “mulher negra bonita” sempre que as mulheres brancas são somente “mulheres bonitas”?
Mais uma vez, toda a sutileza do elogio racista. Ele reconhece que você é uma pessoa admirável, mas a toda a hora fazendo questão de te colocar “no teu lugar”, como se várias fronteiras jamais pudessem ser cruzadas. Essa é uma opinião que definitivamente não é unânime. Faço pergunta de expressá-la como uma provocação que representa o pensamento de uma parcela significativa de mulheres negras. Apesar de todo respeito que tenho por tudo aquilo que ocorre entre duas pessoas, preciso levar em conta a tradição racista secular nesse tipo de discurso. Trata-se de restringir a mulher a um pedacinho do seu corpo humano, descartar tua humanidade, transformá-la num pedaço de carne apresentado no açougue como aconteceu e ocorre diariamente.