Pode parecer um anão detalhe, todavia, na prática, esta diferença podes comprometer a conexão profissional. “As pessoas chegam a ficar irritadas”, diz a especialista. “A gente não quer ferir a outra pessoa, vamos descrevendo devagarinho e, algumas vezes, não somos completamente francos ou diretos”, diz Jussara. Assim, o “sim” vira “talvez”; o “talvez”, “não” e o “não” justamente dito nunca aparece – nas promessas, é claro, em razão de pela prática, está presente o tempo todo. Diante disso, estrangeiros tendem a permanecer conturbados e, no pior dos cenários, frustrados.
Pesquisa da EY divulgada no mês passado mostra que o colega de serviço perfeito para as pessoas que mora no Brasil é inspirador, motivador, amigável e sociável. Isto é, pela prática, mais do que alguém que ajude a adquirir bons resultados, o brasileiro quer trabalhar com pessoas com quem seja simples se relacionar.
“O brasileiro tende a focar no relacionamento. Primeiro, ele necessita confiar e se dar bem. Depois, vem a tarefa”, diz Jussara. Isso se materializa, tendo como exemplo, nas (“necessárias”) discussões pessoais antes de começar uma reunião, pela ocupação do espaço do outro (nos comuns contatos físicos) e até em nossa (velada) problema em separar o que é profissional do que é pessoal. “Você apresenta beijinho, mostra a imagens dos filhos, coloca um tanto de sentimento nas relações”, diz Cristina Santos, da EMDOC.
Em algumas culturas, o tom é outro: “viemos nesse lugar para fazer negócios, não amigos”, descreve a especialista. Segundo Fabiana Gabrieli, da HSM Educação, o brasileiro tende a ter uma visão de negócios focada no curto período. “Queremos fechar negócio, fazer movimentos rápidos”, diz. “Enquanto pela cultura oriental, como por exemplo, as pessoas não executam negócios com quem não conhecem”.
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Por outro lado, tendo em vista as condições do mercado no Brasil, aprende-se desde cedo que, algumas vezes, é necessário improvisar. Com isso, apesar de não elaborar planos rigorosos, como por exemplo, o brasileiro tende a guardar pela manga um plano B. “Ou C ou D”, brinca Jussara. “Nosso cotidiano é abundante em exceções”, diz Cristina.
É o código de conduta que não é seguido à risca; a lei que, na prática, “não é bem assim” e por aí vai. Isso não é válido em algumas culturas. “Tendemos a ser indisciplinados, devemos trabalhar com regras rígidas pra que o “jeitinho” seja controlado”, afirma Fabiana. Quando em contato com outras linhas corporativas, o brasileiro, além de ler, tem que escoltar o manual – sem gerar atalhos. Uma resultância dessa cultura de maleabilidade é a maneira como lidamos com o tempo.